Oito meses depois de começar a se cuidar com medicamentos e terapia, a secretária Gabriela Motta, 27 anos, achou que poderia se controlar sozinha. Não conseguiu. Em fase de euforia, se endividou. “Eu só lavava os cabelos no salão, comprava bolsas de grife, ia a restaurantes caros.” Quando brigava com o namorado ou com a mãe, refugiava-se em hotéis. “Eu ganhava bem, mas minhas dívidas passaram de R$ 10 mil.” Na depressão, que durava em média dois dias, ela se agredia. “Já me dei um soco e fui trabalhar com o rosto inchado.” Hoje, Gabriela está convencida de que precisa retomar o tratamento. “Estou esperando me reorganizar financeiramente para voltar a me tratar.”
O transtorno bipolar atinge ambos os sexos. Homens costumam ter mais episódios de euforia e as mulheres, de depressão. As causas da síndrome não são inteiramente conhecidas, mas sabe-se que há uma forte influência genética. Para fazer o diagnóstico, os médicos investigam se há casos de suicídio na família do paciente. “Aproximadamente metade dos bipolares tenta se matar ao menos uma vez na vida”, diz Márcio Versiani, diretor do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “A doença é a maior causa psiquiátrica de suicídios.” O especialista defende que existe uma gradação de intensidades e formas de manifestação da doença. “A síndrome é meio camaleônica. Pode se manifestar, por exemplo, como transtorno de alimentação”, afirma. Uma coisa é comum a todas as caras da bipolaridade: a vítima sente-se governada pelas próprias emoções. E precisa de tratamento para voltar a conviver bem com elas.
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
OS SINTOMAS
DEPRESSÃO
Os mesmos sinais de uma depressão comum: alterações no sono e apetite, prostração, sensação de vazio, falta de interesse em fazer até o que se gosta. Mas em maior intensidade, com pensamentos suicidas recorrentes.
Os mesmos sinais de uma depressão comum: alterações no sono e apetite, prostração, sensação de vazio, falta de interesse em fazer até o que se gosta. Mas em maior intensidade, com pensamentos suicidas recorrentes.
MANIA
Estado em que o doente fica muito agitado e tem comportamentos como:
- Verborragia (falar sem interrupções e sem concluir raciocínios).
- Sentimento de poder (acreditar que tem um dom especial, às vezes até sobrenatural, e é mais inteligente e capaz).
- Pouco sono e muita energia.
- Perda dos limites: inventar suas próprias regras e considerar estar imune a qualquer tipo de consequência.
- Impulsividade: pode se envolver em brigas ou consumir exageradamente álcool e outras drogas.
- Hipersexualidade: perda da autocensura. Prática de sexo sem proteção e com desconhecidos.
Estado em que o doente fica muito agitado e tem comportamentos como:
- Verborragia (falar sem interrupções e sem concluir raciocínios).
- Sentimento de poder (acreditar que tem um dom especial, às vezes até sobrenatural, e é mais inteligente e capaz).
- Pouco sono e muita energia.
- Perda dos limites: inventar suas próprias regras e considerar estar imune a qualquer tipo de consequência.
- Impulsividade: pode se envolver em brigas ou consumir exageradamente álcool e outras drogas.
- Hipersexualidade: perda da autocensura. Prática de sexo sem proteção e com desconhecidos.
DORMIR PARA QUÊ?
A promotora de eventos Janaína Galvão, 23 anos, sabe como é sentir-se uma super-heroína. Ela viveu os primeiros sintomas de sua bipolaridade ao passar noites sem dormir estudando para o vestibular de medicina. “Queria abraçar o mundo e pensava: ‘Para que descansar?’.” Não dormir virou problema tão recorrente que Janaína buscou ajuda no Instituto do Sono. O médico receitou antidepressivo, remédio não recomendado para bipolares porque pode fazer com que eles saiam bruscamente da depressão para a euforia. Com a medicação, Janaína ficou ainda mais alterada. Brigou com a família, saiu de casa. Até que procurou um psiquiatra no Hospital das Clínicas em São Paulo e foi corretamente diagnosticada. Há um ano toma moderador de humor e faz terapia. “Sei que agora devo o controle das minhas emoções aos remédios, mas acredito que a terapia me ajude a retomar o domínio delas”, diz.
A resistência ao tratamento é comum em portadores de doenças psiquiátricas. Algum tempo depois de ficar bem, o paciente acha que seu problema foi superado, que teve uma crise isolada e já pode abandonar os remédios. No caso do transtorno bipolar, eles devem ser tomados durante toda a vida. O índice de reincidência após a primeira crise é de mais de 90%. “Cura não existe, mas o tratamento torna bem maior o espaço entre uma crise e outra”, diz o doutor Humberto Corrêa. “Nesses intervalos, a pessoa pode ter uma vida completamente normal.”
A resistência ao tratamento é comum em portadores de doenças psiquiátricas. Algum tempo depois de ficar bem, o paciente acha que seu problema foi superado, que teve uma crise isolada e já pode abandonar os remédios. No caso do transtorno bipolar, eles devem ser tomados durante toda a vida. O índice de reincidência após a primeira crise é de mais de 90%. “Cura não existe, mas o tratamento torna bem maior o espaço entre uma crise e outra”, diz o doutor Humberto Corrêa. “Nesses intervalos, a pessoa pode ter uma vida completamente normal.”
Transtorno bipolar: entre o céu e o inferno
O TRANSTORNO BIPOLAR COSTUMA SE MANIFESTAR PELA PRIMEIRA VEZ ENTRE OS 15 E OS 25 ANOS. É UMA DOENÇA CRÔNICA, DIFÍCIL DE DIAGNOSTICAR – E QUE LEVA AS SUAS VÍTIMAS DA EUFORIA EXTREMA À DEPRESSÃO PROFUNDA
Por: Silvia Amélia de Araújo e Ricky Hiraoka
Foto: RENATA ANGERAMI
Durante muito tempo, as oscilações de humor da designer Danielle Cruz, 23 anos, foram consideradas pelos seus pais uma mera manifestação de adolescência. Uma hora, ela comportava-se de maneira extremamente carinhosa e ria de tudo. De repente, ficava agressiva, odiava todo mundo. O temperamento instável destruía seus namoros, porque os parceiros nunca sabiam como ela reagiria – se um dia beijava-os loucamente, no outro, batia neles. Aos 18 anos, depois de ser dispensada por um cara, ficou uma semana deitada no sofá, sem comer, só chorando. Procurou um psiquiatra, que diagnosticou depressão e receitou remédios. As pílulas fizeram com que ela se sentisse mais eufórica do que nunca. Com isso, a designer resolveu, por conta própria, parar de tomá-las. “Percebi que estava feliz demais, também não era normal...” Danielle então voltou a alternar crises depressivas com picos de alegria. “As oscilações consumiam minha vida. Não me concentrava no trabalho, dormia mal, bombei em duas matérias na faculdade por não conseguir acordar.” Desesperada, procurou novamente ajuda médica. E ouviu as duas palavras que mudaram sua vida: transtorno bipolar.
Grave e crônica, essa doença atinge 1,5% da população, costuma se manifestar pela primeira vez entre os 15 e os 25 anos e tem diagnóstico difícil. Os relatos da descoberta da bipolaridade quase sempre são longos como o de Danielle. Isso porque é preciso que o paciente passe por ao menos uma fase depressiva e uma maníaca (de euforia) para que o problema possa ser diagnosticado. Fortes variações de humor constituem o eixo central da doença.Mas muitas vezes o paciente é considerado pelo médico apenas depressivo ou os sintomas que manifesta no estado de euforia são tratados como um problema isolado.
A lista de sintomas é imensa: vai de consumo exagerado de drogas a hipersexualidade (leia box). “O bipolar fica visivelmente agitado. Com pensamento acelerado, não termina frases, passa de uma ideia para a outra”, descreve Humberto Corrêa, chefe do Departamento de Saúde Mental da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). “O doente se sente poderoso, faz dez projetos ao mesmo tempo, inventa planos mirabolantes. Depois cai em depressão profunda.”
Grave e crônica, essa doença atinge 1,5% da população, costuma se manifestar pela primeira vez entre os 15 e os 25 anos e tem diagnóstico difícil. Os relatos da descoberta da bipolaridade quase sempre são longos como o de Danielle. Isso porque é preciso que o paciente passe por ao menos uma fase depressiva e uma maníaca (de euforia) para que o problema possa ser diagnosticado. Fortes variações de humor constituem o eixo central da doença.Mas muitas vezes o paciente é considerado pelo médico apenas depressivo ou os sintomas que manifesta no estado de euforia são tratados como um problema isolado.
A lista de sintomas é imensa: vai de consumo exagerado de drogas a hipersexualidade (leia box). “O bipolar fica visivelmente agitado. Com pensamento acelerado, não termina frases, passa de uma ideia para a outra”, descreve Humberto Corrêa, chefe do Departamento de Saúde Mental da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). “O doente se sente poderoso, faz dez projetos ao mesmo tempo, inventa planos mirabolantes. Depois cai em depressão profunda.”
Eu sou a peça perdida de um quebra-cabeça, sou um verso inacabado, uma estrofe em construção, eu sou tantas coisas e ao mesmo tempo eu não sou nada. Eu sou uma contradição ambulante.
Créditos de Luan Emílio.
Créditos de Luan Emílio.
Mas o pior é o súbito cansaço de tudo. Parece uma fartura, parece que já se teve tudo e que não se quer mais nada.
Clarice Lispector.
Clarice Lispector.
Eu quero ser inconsequente e tão livre quanto abandonado, simplesmente não suporto a maneira como alguns acham que podem salvar os outros, como poderiam?
Sufoco da Vida
Harmonia Enlouquece
Estou vivendo
No mundo do hospital
Tomando remédios
De psiquiatria mental
No mundo do hospital
Tomando remédios
De psiquiatria mental
Estou vivendo
No mundo do hospital
Tomando remédios
De psiquiatria mental
No mundo do hospital
Tomando remédios
De psiquiatria mental
Haldol, Diazepam
Rohypnol, Prometazina
Meu médico não sabe
Como me tornar
Um cara normal
Rohypnol, Prometazina
Meu médico não sabe
Como me tornar
Um cara normal
Me amarram, me aplicam
Me sufocam
Num quarto trancado
Socorro
Sou um cara normal
Asfixiado
Me sufocam
Num quarto trancado
Socorro
Sou um cara normal
Asfixiado
Minha mãe, meu irmão
Minha tia, minha tia
Me encheram de drogas
De levomepromazina
Minha tia, minha tia
Me encheram de drogas
De levomepromazina
Ai, ai, ai
Que sufoco da vida
Sufoco louco
Tô cansado
De tanta
Levomepromazina
Que sufoco da vida
Sufoco louco
Tô cansado
De tanta
Levomepromazina
Ai, ai, ai
Que sufoco da vida
Sufoco louco
Tô cansado
De tanta
Levomepromazina
Que sufoco da vida
Sufoco louco
Tô cansado
De tanta
Levomepromazina
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Como é bom fazer novas amizades...Hj conheci uma amiguinha q tem alguns probleminhas em comum q agora não vem ao caso... Mas q doçura de pessoa, super simpática, pronta pra ajudar e principalmente uma lutadora...VALEU TE CONHECER ALESSANDRA PABST!!! Bjks, lindona!!!
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